Professora redescobre a vida por meio da dança  

Foto: Simone Andrade

Foto: Simone Andrade

Por Simone Andrade

Almira Alves (54) não sabia que a viagem da noite do último 16 de março a ensinaria a enxergar melhor a vida e o próximo. Um acidente automobilístico a deixara em uma cadeira de rodas. Ironia do destino, Almira é professora de Educação Especial, especializada em LIBRAS, em Chapadão do Sul, Mato Grosso do Sul. “Trabalhei cinco anos com crianças deficientes e hoje estou aqui. Nunca imaginei que havia tanto para aprender em uma experiência assim”, diz com os olhos marejados.

Além da vivência com as crianças, a professora traz consigo uma história com a dança. Antes do acidente, ela praticava jazz, ballet fitness e dançava na igreja. “Quando me convidaram no início da semana para vir ao Seminário, eu resisti”, conta. Segundo a professora do projeto da Rede Sarah, Débora Araújo, Almira apresentou uma grande resistência tanto para entrar no projeto, quanto para vir ao workshop no Seminário internacional de Dança de Brasília. “Pensei: não posso ir a um evento de dança estando em uma cadeira de rodas”, confessa Alves.

Porém, foi na dança que a professora se redescobriu depois do ocorrido. “Já me realizava e hoje vejo que posso muito mais. A dança é uma comunicação sublime. Depois do acidente, aprendi a me comunicar melhor, a usar cada parte do meu corpo para efetivar a comunicação”, observa. “Quando sofremos um acidente percebemos como cada pedaço do corpo compõe, de forma harmoniosa, o todo”.

Hoje, depois de tantas experiências – o acidente, uma nova forma de encarar a dança, de ver o próximo – a professora faz novos planos. “Quero voltar a dar aula, tenho muito mais a acrescentar aos meus alunos”, almeja. “Aprendi a enxergar coisas que antes eu não via, a enxergar o interior das pessoas, a perceber o outro”. Almira ressalta o quanto o apoio dos alunos e dos pais dos alunos foi importante. “Fizeram eventos para arrecadar dinheiro para a minha vinda a Brasília, quando faço posts no facebook, eles comentam e dizem estar torcendo”.

Alves quer criar um projeto de dança para crianças cadeirantes, em Chapadão. “Descobri que há muito mais além da cadeira de rodas e quero que aquelas crianças tenham essa experiência”.

Para a professora, vir ao seminário e ter a honra de conhecer a bailarina Gisèle Santoro foi motivador. “Agradeci a professora Gisèle por me abrir a mente para a possibilidade de ver um projeto para os meus alunos e ouvir dela que a oportunidade era eu… nossa!”, disse emocionada. “Ela veio aqui e dançou comigo. Estou muito honrada.”

Almira, que está em tratamento no Hospital Sarah Kubitschek, participa do projeto Rede Sarah, onde faz aulas de dança com a professora Débora Araújo. Conheça melhor o projeto.

Este é um evento da Secretaria de Estado da Cultura do Distrito Federal em parceria com a Associação Cultural Claudio Santoro.

Este evento faz parte do programa DANCE BRASIL.

Para reproduzir as matérias basta somente dar crédito à Agência Dance Brasil.

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