Gisèle Santoro: Filha fala da relação com a mãe, planos pessoais e o Seminário

Giselinha

Por Simone Andrade –

Em entrevista à Agência Dance Brasil, Gisèle Santoro (filha), ou simplesmente ¨Giselinha¨ – como é carinhosamente chamada por muitos, fala sobre o os planos pessoais, o que pensa sobre o seminário, a relação com a mãe, com o ballet e com a música.

Dividida ente planos pessoais e o futuro do Seminário, deseja que a cidade assuma o evento – tendo verba e pessoas competentes, que compreendem a proposta – enquanto seu destino continue se cristalizando na dança e nas novas oportunidades da vida.

Sua história com o ballet foi espontânea?

Gisèle Santoro (filha) – Dizendo a minha mãe, foi espontânea (risos). Já na barriga eu dançava, chutava no ritmo. A dança sempre fez parte da minha vida. Meus pais nunca me forçaram a fazer isso. Muito pelo contrário, sempre me deixaram a vontade. Sempre foi o meu desejo, desde que me entendo por ser humano, seguir essa carreira.

E como foi seguir os passos de sua mãe?

Gisèle Santoro (filha) – Para falar a verdade, nunca pensei que segui os passos da minha mãe. Fiz ballet porque gosto. É uma necessidade de me expressar. A música oferece esse impulso para me expressar, é uma forma de comunicação. Comecei no ballet aos sete anos, não comecei antes como muita gente faz que coloca no baby class. Minha mãe nunca fez isso. E antes de começar eu já dançava em casa. Papai ligava o rádio e eu dançava, inventava coreografia. A música e a dança sempre fizeram parte da minha vida. Até em um concerto, estou escutando a música e vendo movimento, uma coisa não se separa da outra… Claro, a família dá o apoio, a compreensão. Vejo com os meus alunos que muitas vezes a dificuldade é conseguir essa compreensão em casa. Qualquer coisa que é imposta é ruim. Você tem que saber o que quer fazer. Quando a pessoa sabe desde cedo o que quer, a gente tem que apoiar e dar a oportunidade para que ela se desenvolva e se descubra.

Recentemente você se formou em Relações Internacionais. Qual é o projeto com essa nova profissão?

Gisèle Santoro (filha) – Ela surgiu por duas razões. Uma porque, no Brasil, tem muita dificuldade de reconhecimento de diplomas do exterior. A carreira lá fora, os diplomas que tenho, não são reconhecidos no Brasil. Na Alemanha, a sua carreira artística, o seu notório saber, além do que você estudou, tem um peso muito grande. Segundo, precisava me ocupar intelectualmente também. Vi que tinha que fazer alguma coisa que me estimulasse, que me desse novo horizonte. Casada com um professor da UnB, sociólogo, um intelectual em casa, pensei: o que eu vou fazer? E ele me deu a dica:‘você morou em tantos países, fala tantos idiomas, conhece tanta coisa, porque não tenta Relações Internacionais?’. Foi gratificante, conheci outro mundo intelectual. Nunca me questionei se vou ou não trabalhar na área. Acho que oportunidades vão surgir nisso. Mas, com certeza, estudar faz bem para qualquer um. Isso é uma coisa que digo para os meus alunos. Não tem bailarino que fica só na sala de aula, tem que ampliar os horizontes, estudar, ler, informar-se, tudo é crescimento. Não pode se limitar a sapatilha.

E como é a sua participação na organização do Seminário?

Gisèle Santoro (filha) – Desde que surgiu, e eu ainda morava fora, metade das minhas férias, na Alemanha, era o Seminário. Desde o início participei como bailarina, ajudando na organização, dando aulas, montando, coreografando. Sempre estive envolvida em tudo que tivesse que ser feito. Quando parei de dançar, em 2006, fiquei mais na área de ensino e organização, tentando desafogar um pouco ela (a mãe). Contribuí muito também com os intercâmbios, não só levando alunos, mas com o último teatro em que trabalhei na Alemanha. Consegui intercâmbio com eles para trazer as produções, cenários, figurinos – sendo que, o teatro da Alemanha nunca cobrou por isso. E fizemos mega produções. Minha participação sempre foi variada.

O que você pensa sobre o futuro do seminário?

Gisèle Santoro (filha) – Gostaria muito que o seminário, que agora faz parte do calendário do GDF, tivesse uma verba própria, um espaço e que não tivesse que todo ano brigar pelas mesmas coisas, começar do zero. Veja o quanto custa um curso na Europa. Para fazer cinco dias de aula paga-se 800 euros, fora passagem aérea, alimentação, estadia. Quem pode fazer isso para fazer aula com dois ou três professores renomados? Aqui a gente trouxe 13 professores e dois correpetidores de fora do Brasil. Os alunos podem fazer aula o dia inteiro, aprender coreografias. A nossa profissão funciona assim. Não é um livro que você pega, lê e aprende. Você tem que ter contato humano. O que desejo é que haja uma verba própria para que ela (mãe) faça as coisas com tranquilidade. Ninguém enriquece com esse evento, as coisas são feitas para os alunos e é uma dificuldade para fazer tudo acontecer.

E a relação com sua mãe?

Gisèle Santoro (filha) – Como a gente tem a mesma profissão e o mesmo entendimento sobre a dança – apesar de sermos pessoas muito diferentes, mas na dança, nos entendemos mais ou menos pelo mesmo caminho. E muita coisa afina por aí. Conversamos, trocamos ideias…

Você se pega pensando em como será quando ela não estiver aqui?

Gisèle Santoro (filha) – Sim, muito. Não me imagino sem ela. Extremamente complicado, porque é uma coisa que não envolve só o seminário. Minha mãe é uma pessoa com quem eu compartilho muito a minha vida. Às vezes me pego pensando como vai ser.  Ela é uma pessoa com quem posso confidenciar tudo, entende o que eu quero falar. Temos desentendimentos também, mas é normal. Penso muito como vai ser. Tem a obra do meu pai, que meu irmão cuida, mas está na casa dela. O que vai ser disso? O Seminário… Não sei como vai ser. Também tenho a minha vida. Tem que fundamentar e ver quem pode integrar o projeto. O seminário chegou a um ponto que ele é da cidade e a gente tem que encontrar pessoas que consigam entender esse ideal e dar continuidade ao pensamento. Todo mundo fala que sou a pessoa ideal, mas confesso que, se não tiver dinheiro para fazer as coisas funcionarem, não sei se terei a força dela. Sei que isso é uma realização de vida dela, tem um peso emocional muito forte. Não sei se eu teria essa força que ela tem. E tenho os meus planos.

Quais são os planos?

Gisèle Santoro (filha) – Meus professores ficam falando para eu fazer o mestrado, mas quero descansar um pouco. Esse tempo me privou de muitas coisas. Tenho meus convites de sair, dar aula. Quero coreografar. Mas, tudo isso vai depender de como as coisas vão se cristalizar.

Em tempo, para saber mais, clique aqui, em matéria anteriormente publicada com o perfil dela.

Este é um evento da Secretaria de Estado da Cultura do Distrito Federal em parceria com a Associação Cultural Claudio Santoro.

Este evento faz parte do programa DANCE BRASIL.

Para reproduzir as matérias basta  somente dar crédito à Agência Dance Brasil

Uma resposta para “Gisèle Santoro: Filha fala da relação com a mãe, planos pessoais e o Seminário

  1. Uma das pessoas mais especias que conheço! Que tenho a honra de ser aluna! De conversar! De compartilhar os meus dias, um pouco da minha vida. Que me ensina a ser feliz no momento da aula. Que me tira do mundo real e diz “curte o teu ballet agora”. Eu, bailarina adulta, que só tenho gratidão à essa pessoa que faz meus dias melhores!

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