Cada ano um desafio

Bailarino do Rio de Janeiro, Renan Gonçalves luta por uma bolsa de estudo. Foto: Vanessa Miyasaka.

Bailarino do Rio de Janeiro, Renan Gonçalves luta por uma bolsa de estudo. Foto: Vanessa Miyasaka.

Por Simone Andrade –

Estar no Seminário internacional de Dança é uma grande vitória para Renan Gonçalves Martins (20), morador de Bento Ribeiro, bairro distante do centro do Rio de Janeiro (RJ). Renan se apaixonou pela dança aos sete anos, quando participou de um projeto da escola. “Nesse ano, eu reprovei a terceira série porque só queria saber de dançar”, conta Renan. Na medida do possível, o garoto nunca mais parou.

É a segunda vez que ele participa do seminário (2013 e 2015) e conta como foi difícil chegar até aqui. “Só Deus sabe. Foi uma luta para estar aqui”, desabafa. A escola Recanto do Idoso, onde o jovem estudou certa vez, foi quem mais o ajudou a chegar em Brasília, este ano. A dona da escola pediu a ele que apresentasse um trabalho para um grupo e certa mãe decidiu ajudar Renan a participar do XXV Seminário. Além de conceder boa parte do dinheiro necessário, ela ainda fez um trabalho de conscientização junto a outras pessoas. Foi assim que Renan comprou as passagens e 20 tickets, que ele vem administrando para pegar as melhores aulas possíveis.

Além da ajuda, Renan vendeu rifas e apresentou coreografias nas ruas do Rio para arrecadar dinheiro. “Com o dinheiro da rifa comprei as coisas que precisa, mas ainda assim não deu para comprar tudo”, conta ele, “ficou faltando uma malha preta e uma sapatilha porque a minha já está rasgada e apertada”. Assim mesmo veio e diz que valeu a pena os esforços para participar do seminário. Renan lamenta apenas não ter conseguido o apoio financeiro necessário para vir ano passado.

NO RIO

Um aluno sem escola. Assim é a vida de Renan no Rio de Janeiro, para não chegar despreparado, ele conseguiu, por intermédio de uma amiga, treinar durante um mês no Estúdio Talento e Arte, escola situada em Madureira (RJ), dirigida por Marluce Madeiros. “Minha caminhada na dança sempre foi muito difícil. Além de não ter condições de pagar boas escolas, nunca acreditaram muito em mim”, lamenta o bailarino.

Renan perdeu a mãe há cinco anos e nunca conviveu com o pai. Mora com a avó materna e uma tia e sempre precisou correr atrás das mínimas necessidades. Conseguiu vir. E mesmo estando aqui, quando não tem aula, se apresenta nos semáforos para conseguir mais subsídios para a alimentação e transporte do estádio até o alojamento.

Quanto às preferências “gosto mais do clássico, mais também me jogo no jazz, no contemporâneo”, revela, “gostaria de conseguir estudar mais o jazz”. Um sonho: conseguir uma formação melhor. Mesmo com todas as peripécias da estrada, Renan mostra um bom desempenho até aqui e está selecionado para a Segunda Etapa do Concurso, que ocorre nesta sexta-feira (24/07), às 18h.

Este é um evento da Secretaria de Estado da Cultura do Distrito Federal em parceria com a Associação Cultural Claudio Santoro.

Este evento faz parte do programa DANCE BRASIL.

Para reproduzir as matérias basta somente dar crédito à Agência Dance Brasil.

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