Depoimentos de Ex-bolsistas – 3 – SILVIA MELLO

SILVIA MELLO -2

“Desde os 8, no interior de São Paulo, as Lembranças são que as sapatilhas se tornavam a cada dia, extensão de meus pés. A barra, um suporte a meus sonhos. O espelho, me refletia menina, adolescente, mocinha até, mas sempre, uma bailarina, ou melhor, a alma de bailarina, ou ainda, uma bailarina de alma. Enfim, Lembranças dos primeiros anos.A vida em seus caminhos trouxe minha família ao Planalto Central e aos 11 anos, tive dificuldade de aceitar aquela mudança, os amigos que ficaram, a escola, os familiares, mas encontrei no ballet o meu ponto do novo equilíbrio e o próprio encontro comigo mesma em minha nova realidade, Brasília. Lembranças das primeiras mudanças.Vieram mestras, dentre elas, minha querida Zulma Emrich, que com disciplina e exemplo, semeou a arte eterna do ballet em mim. Trazendo a minha primeira grande decisão, nesta vida: Queria eu ser uma bailarina na vida? Optei pelo sim! Lembranças das primeiras decisões. Suor, sangue, pés esfolados, correções, correções e mais correções. Assistir aos vídeos dos ballets de repertório e sonhar. Treinar, treinar e depois ensaiar, ensaiar e ensaiar mais pois a bailarina, como diz o próprio Chico Buarque: só ela que não tem! Eu complementaria: tempo de ver o que outros vêem, pois o ballet se torna a prioridade, no entanto, de uma vida feliz. Lembranças das primeiras batalhas. Joinville, Uberlândia, Rio, Anápolis, Buenos Aires, São Caetano do Sul, São José dos Campos, Belo Horizonte, Brasília dentre outras cidades que me receberam, me aplaudiram, me premiaram, me premiaram de novo, me emocionaram por terem aberto o canal de emoção do povo para junto comigo compartilhar daquilo que tinha de melhor para dar: minha arte, meu ballet, o nosso amado ballet. Lembranças das vitórias. Fui questionada sobre opção de carreira, não tive dúvidas, apostei no que meu coração apontava como vocação interior, busquei algo mais no ballet e esta arte bendita, sempre tinha algo mais a me dar. Lembranças de Fé e Esperança. Chegou à fase onde o público e eu mesma me via bailarina e os caminhos da profissão chegaram a tia Gi, nossa incomparável Gisèle Santoro, mestra querida que me burilou, encantou e despertou em mim, a bailarina-mulher, capaz de novos “grand jetés”‘ na vida. Levou-me, encorajou-me a participar do Seminário Internacional de Dança de Brasília de 1992, onde 20 anos atrás, superei-me, trouxe a tona, o que meus 20 anos, na época, era capaz de levar ao público e a banca examinadora onde o reconhecimento de toda uma vida dedicada aquela arte seria brindada com o prêmio de Medalha de Ouro na Categoria Profissional e o convite a ser a Primeira Bailarina da Fundación Ballet Clásico de Venezuela – Caracas. Lembrança de que a luta toda por uma causa justa, vale a pena. Aquele Seminário se transformou em minha porta do amanhã, grandes aprendizados, grandes lembranças, momentos inesquecíveis vividos sempre com o amor que segue dentro de mim através desta arte maravilhosa que é a dança. O Amanhã ninguém conhece, mas as portas que levam a ele são, sem dúvida, o grande divisor de águas de nossas vidas.

Sou muito grata ao Seminário e a tudo que ele me proporcionou e deixo minha reverência respeitosa aos bailarinos, os defensores da expressão da Arte Divina”

SILVIA MELLO

 

Este é um evento da Secretaria de Estado da Cultura do Distrito Federal em parceria com a Associação Cultural Claudio Santoro.

Este evento faz parte do programa DANCE BRASIL

Para reproduzir as matérias basta  somente dar crédito à Agência Dance Brasil

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