Mounir Maasri – Uma ponte entre Brasil e Líbano

“Ampliar, nos bailarinos, a capacidade de entender e interpretar o personagem que dança é o trabalho a que me proponho durante o seminário”

Mounir Maasri , destaque internacional da 23ª edição do Seminário de Dança de Brasília, defende a ideia de que o bailarino, assim como o ator, podem transmitir ao público muito mais do que o prazer estético.

Mounir Maasri , destaque internacional da 23ª edição do Seminário de Dança de Brasília, defende a ideia de que o bailarino, assim como o ator, podem transmitir ao público muito mais do que o prazer estético.

Após 20 anos de hiato, artista libanês retorna ao Seminário Internacional de Dança de Brasília, onde dará curso sobre Interpretação teatral

Lúcio Flávio
Repórter da Agência Dance Brasil

O nome árabe pode não soar tão familiar para a maioria dos brasileiros, mas o Brasil e, sobretudo, Brasília, estão bastante enraizados na vida e trajetória desse libanês de 73 anos, há pelo menos mais de três décadas. Relação fortalecida quando conheceu e se casou com uma brasileira com quem tem três filhas nascidas no país. “Durante esse tempo todo venho tentando entender essa terra que é um caldeirão de raças, religião e cultura, experiência que gerou e está gerando um homem novo”, confessa.

Nascido na pitoresca cidade libanesa de Aley, Mounir Maasri formou-se em artes cênicas no Senior Dramatic Workshop, em Nova York. É ator, diretor, escritor e professor de alma peregrina com carreira consolidada em todos esses segmentos em seu país. Maasri é um dos destaques internacionais da 23ª edição do Seminário Internacional de Dança de Brasília. Chega ao evento que teve oportunidade de participar pela primeira vez nos anos 90, com a missão de ministrar curso de Interpretação Teatral para os participantes. De lá para cá o experiente artista conta que muita água passou debaixo da ponte tanto para ele, quando para o Seminário.

“Pela acumulação de experiências bem sucedidas consolidaram-se minha carreira e o Seminário”, avalia. “Amadureci tanto como ator quanto cineasta e professor de artes cênicas. O Seminário também porque seus resultados se multiplicaram já que antigos alunos dançam em várias partes do mundo e voltam ao evento como professores, recebendo lá fora novos talentos”, observa.

A ideia de que o bailarino, assim como o ator, podem transmitir ao público muito mais do que o prazer estético foi compartilhada pela idealizadora do Seminário de Dança, Gisèle Santoro, logo de cara, desde o primeiro encontro dos dois em Nova York, nos anos 90. Afinados, começaram a trabalhar num canal em que pudesse estreitar a relação entre o artista em cena e a plateia por meio de dois elementos sensoriais: o gesto e a emoção.

“Porque se o gesto fala ao visual, a emoção vai direto ao coração, aos sentidos”, explica Mounir. “Ampliar, nos bailarinos, a capacidade de entender e interpretar o personagem que dança é o trabalho a que me proponho durante o seminário”, acredita o artista que tem seus ensinamentos e experiências no campo da dança e das artes cênicas requisitados em vários eventos do gênero no Brasil e no mundo.

Rosto conhecido no cinema e na televisão no Líbano, recentemente o talento de ator de Mounir Maasri foi requisitado para a primeira produção cinematográfica realizada entre Brasil e Líbano, o drama, A última estação. Dirigido por Márcio Curi e com roteiro de Di Moretti, o filme, escolhido para abrir a 45º edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, traz como tema, a partir da emigração árabe no Brasil, questões como amizade, fidelidade e respeito às diferenças.

“Foi uma grande surpresa e honra também participar desse projeto, representou enorme desafio”, comenta Mounir, protagonista da trama na pele do emigrante libanês Tarik.  “Gosto muito do papel e da ideia do filme porque trata exatamente dessa capacidade brasileira de absorver diferenças culturais, religiosas e étnicas”, emenda.

Com vários projetos em andamento na ponte Brasil e Líbano, rota aberta com sua participação no filme, A última estação, o experiente e incansável Mounir Maasri não pára. Acredita que os fortes vínculos históricos e de amizade entre os dois países ainda possam render mais frutos. Um deles apreciado com deleite no retorno ao Seminário de Dança de Brasília, evento que tem grande carinho e respeito.

“Minha grande surpresa foi, ao retornar ao Brasil, descobrir que ele (o Seminário) ainda existe, apesar das enormes dificuldades que enfrenta, a cada ano, para se concretizar”, revela.  “Ele é um milagre que tem nome: Gisèle Santoro, que devido sua perseverança, dedicação, paixão pela dança e vontade de ajudar jovens talentos, mantém acesa sua chama”, elogia.

Este é um evento da Secretaria de Estado da Cultura do Distrito Federal em parceria com a Associação Cultural Claudio Santoro.

Este evento faz parte do programa DANCE BRASIL.

Para reproduzir as matérias basta  somente dar crédito à Agência Dance Brasil

 

 

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s