Da gratidão – da série Crônicas do Seminário

Giséle Santoro coordena o Dance Brasil 2013

Giséle Santoro coordena o Dance Brasil 2013

LogoCrnicasEspecial para a  Agência Dance Brasil

Estive em dezembro na Europa. Foi uma viagem louca, de 10 dias, para ministrar um Seminário de Metodologia da Dança Clássica para o Curso de Mestrado da Universidade Palucca em Dresden, assim como renovar velhas parcerias ou fechar novas, e estabelecer formas de intercâmbio com algumas entidades tendo em vista o Seminário Internacional de Dança de Brasília. Estive em Paris, Dresden, Karlsuhe e Zurique, passando por Londres e Berlim. Vinda do sucesso estrondoso de nosso Quebra-Nozes em Brasília, ainda assisti a versões deste maravilhoso clássico na Ópera de Karlsruhe e na Semper Oper de Dresden, participei da Festa de Natal do Ballet da Ópera de Karlsruhe e, para completar, assisti também às apresentações da Arian’Art Compagnie, da Escola de Dança da Ópera de Paris e da Academia de Dança de Zurique, onde fui conversar com Oliver Matz – célebre 1º Bailarino da Ópera de Berlim, que dançou seu 1º D. Quixote com minha filha Gisèle, em 1987, em Brasília – e que é, atualmente, o Diretor da TAZ (Tanz Akademie Zürich).

Que viagem!

Mas porque estou falando disto? Porque nesta viagem surreal, fui confrontada com as mais genuínas formas de gratidão, carinho, respeito e amor que poderia desejar. E tudo isto aqueceu meu coração de uma forma que é quase impossível descrever.

Na capital francesa fui literalmente “paparicada” pela minha ex-aluna Evandra, Diretora da Arian’Art Compagnie. Um pouco sobre esta fantástica artista: conheci Evandra em 1994, quando ganhou Medalha de Ouro no Concurso do I Encontro Internacional do Mercosul em Montevidéu, do qual eu era Membro do Júri. Decidiu vir aperfeiçoar-se comigo e morou por 2 anos em minha casa em Brasília. Premiada no Concurso do V Seminário Internacional de Dança de Brasília, ganhou um contrato de um ano para Charleroi (Bélgica). Retornando, ganhou em 1996 no Seminário uma Bolsa da Embaixada da França para Aperfeiçoamento em Paris, onde reside e desenvolveu carreira como bailarina, professora e coreógrafa. Este ano retornou ao Seminário como professora, com retumbante sucesso, completando um ciclo – já representado no Seminário pela Mônica Proença: o das bailarinas que fizeram uma carreira no exterior graças ao Seminário e agora retornam anualmente, dividindo com os participantes os ensinamentos recebidos e levando jovens bailarinos para percorrer os caminhos por elas percorridos, através das Bolsas de Estudo e Estágios que oferecem.

Bem, Evandra esperou-me no aeroporto, instalou-me num hotel ao lado de seu apartamento – porque mora no 5º andar de um velho e tombado prédio parisiense sem escadas – e levou-me para jantar. No dia seguinte presenteou-me com entradas para a Ópera de Paris, após entregar-me os tickets de metrô necessários.  Ocupou-se 24 horas por dia de minha pessoa, pagando todas as despesas. E cada vez que eu reclamava, dizia que era pouco, se comparado ao que eu fizera por ela e o que representava em sua vida: uma 2ª e verdadeira mãe.

Em Karlsruhe fui tratada como rainha pelo Reginaldo e seu companheiro André – que tem a mais incrível coleção de gravações de ópera de que já tive notícia no mundo e, embora com pós-graduação em Musicologia, prefere ser famoso cabeleireiro. Pena que meu tempo foi tão curto que não pude aproveitar!

E em Zurique reencontrei com imenso prazer Fabiana Maltarolli, Medalha de Ouro no I Seminário (1991), onde ganhou uma Bolsa para a Escola de Ballet da Ópera de Viena e que foi por muitos anos Solista da Ópera de Zurique. Casada com um bailarino húngaro que conheceu quando estudante em Viena –  e que depois dividiu com ela os anos de glória na renomada companhia suíça – ambos agora são professores da TAZ  e vão escolher os bolsistas do Seminário que levarão para a Academia em 2013.

Foi comovente o carinho com que me trataram e me hospedaram. Ao filhinh0 de 7 anos (que já fala húngaro, alemão e português), Fabiana tentava explicar que ele existia graças as mim. Pois se não fosse a Bolsa do Seminário, não teria conhecido o marido…

Enfim – last but not least – Dresden, onde também fui “mimada” além da conta pelo Fernando Coelho, que há 2 anos faz parte do Corpo Docente do Seminário, e reencontrei, no Seminário de Metodologia que estava ministrando, Leonardo – bailarino rumeno que trabalhava no Lepziger Ballett (companhia da Ópera de Leipzig), quando lá estive como Maître de Ballet, convidada pelo Diretor Uwe Scholz – bem como alguns bolsistas do Seminário. Lá fechei um intercâmbio com o Reitor da Universidade, que mandará alunos de Dresden para o Seminário e levará alguns brasileiros participantes para a Alemanha.

O carinho com que fui recebida, o respeito que todos me manifestaram, a atenção de que fui alvo, as gentilezas sem fim, serão sempre inesquecíveis. E me retiraram desta modorra e depressão, que me impediram por meses de dar continuidade a este blog.

Que eles saibam o bem que me fizeram e quanto estou agradecida! Com profunda alegria vou reencontrá-los em julho, em mais uma edição do Seminário, dividindo comigo a emoção de ver alguns talentos brasileiros alçarem voo e cumprirem seu destino!

Este é um evento da Secretaria de Estado da Cultura do Distrito Federal em parceria com a Associação Cultural Claudio Santoro 

Para reproduzir as matérias basta  somente dar crédito à Agência Dance Brasil

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