Gisèle Santoro: A jardineira da dança

“Minha missão é sonhar os sonhos dos outros”

Há 23 anos a frente do Seminário Internacional de Dança de Brasília, a ex-bailarina e professora de dança é um dos mais respeitados nomes do segmento no país.

Giséle Santoro coordena o Dance Brasil 2013

Giséle Santoro coordena o Dance Brasil 2013

Lúcio Flávio
Repórter da Agência Dance Brasil

A história da dança em Brasília se confunde com a figura de Gisèle Santoro e a figura da coreógrafa, ex-bailarina e ex-pianista, Gisèle Santoro, se confunde com a de várias pessoas que fazem da arte de Ana Botafogo, Nijinsky, Fred Astaire, Gene Kelly e tantos outros, uma forma de existência no Brasil e no mundo. Sim, porque poucos sabem, mas hoje, se algum bailarino ou dançarino brilha por aqui e, sobretudo no exterior, é graças à persistência e dedicação dessa senhora simpática setuagenária que há exatos 23 anos coordena o Seminário Internacional de Dança de Brasília.

O evento, que acontecerá entre os dias 07 e 28 de julho, é uma referência no segmento tanto na esfera nacional quanto internacional e, por meio de workshops, aulas especiais, concursos e incentivo de profissionais renomados da área, tem ajudado a promover e valorizar o talento de milhares de jovens que um dia sonham em encenar nos palcos uma montagem de O Lago dos cisnes ou O quebra-nozes.

“Essa é a minha missão, ou seja, sonhar e viver os sonhos dos outros, tem sido assim há um bom tempo”, comenta a artista e professora de dança, que já ajudou a alavancar a carreira de mais de 400 alunos que passaram pelo seminário. “Sou como um jardineiro que sabe jogar a semente e fazer dar os frutos”, compara. “Há muitas histórias lindas que saíram do nosso seminário”, diz ela, sem esconder o orgulho.

Viúva do maestro Cláudio Santoro (1919 – 1989), quem conheceu em meados dos anos 60, quando o músico clássico desembarcou em Brasília encarregado de criar o departamento de Música da Universidade de Brasília, a carioca Gisèle, que é mãe de três filhos, desde cedo sabia que a arte nortearia os seus passos. Literalmente. “Falei para minha mãe que não queria saber dessa história de pintar unha, ser cabeleireira, nada disso. Queria ser escritora, algo ligado à arte”, revela. “Depois que saí do internato, aos 15 anos, me envolvi com dança e não parei mais”, conta.

Formada pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Gisèle Santoro deu início ali à sua carreira de coreógrafa que se estende até hoje na condição de uma das mais respeitadas professoras de danças de Brasília e do país. Culta, atenta, divertida, sensível e atenciosa, ela é, talvez, uma das mais importantes exportadoras de talentos dançantes do país. A vitrine? O Seminário Internacional de Dança de Brasília, claro. A motivação para a criação do evento partiu da falta de diversidade técnica nos moldes das escolas europeias aqui no Brasil.

“No começo, criamos os cursos nacionais de aperfeiçoamento em dança. Foram dois anos”, detalha Gisèle, que já participou do júri dos mais importantes eventos de dança no mundo. “Mas com a experiência internacional e contatos estrangeiros que adquiri ao longo dos anos, vi que havia uma defasagem, nossas escolas não eram sistemáticas nas matérias que ofereciam ao país”, observa.

Sem patrocínio regular, todos os anos Gisèle Santoro realiza o Seminário que idealizou há mais de 20 nos atrás, com muita persistência e amor. Amor à dança. “O Brasil é um continente, nossos talentos aqui, em todas as áreas brotam como folhas em árvores. Na dança não é diferente. Não temos só jogadores de futebol”, constata com certa ironia.

Este ano, várias atrações e programas paralelos do encontro de dança prometem fazer do Seminário de Dança de Brasília um dos mais emblemáticos já realizados. A expectativa de Gisèle Santoro, a cada ano, é renovada. “Será um dos melhores já realizados, tanto do ponto de vista quantitativo, quanto qualitativo”, diz ela, elencando atrações nacionais e internacionais. Destaque para as companhias de danças paulistas de São José dos Campos e Campos do Jordão, assim como o timo de acadêmicos internacionais como o austríaco, Sebastian Prantl, a espanhola, Roser Muñoz e o francês Vincent Gros. “Não me esqueço de um dançarino alemão que disse que o que temos de diferente dos outros artistas é a ginga, a espontaneidade e alegria”, recorda Gisèla. “Acho que uma das grandes contribuições do Seminário é servir de vitrine para essa particularidade”, destaca.

Este é um evento da Secretaria de Estado da Cultura do Distrito Federal em parceria com a Associação Cultural Claudio Santoro.

Este evento faz parte do programa DANCE BRASIL.

Para reproduzir as matérias basta  somente dar crédito à Agência Dance Brasil

 

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